quinta-feira, 6 de maio de 2010

O valor do Livro (II)

Em o “Os Livros na Idade Média”, Jacques Verger apresenta o acesso ao livro e o processo de transição do manuscrito para a impressão na Idade Média. Por meio de um levantamento de dados o autor demonstra as dificuldades do acesso ao livro por conta do caro e lento processo de reprodução, além das escassas bibliotecas e com ingresso restrito. Verger ainda relata as mudanças desse cenário com o advento do livro impresso, mas faz a ressalva de que ainda que se tenha ampliando o acesso aos livros o processo foi lento.

Inicialmente o autor aponta os principais fatores de ordem social e econômica que inviabilizavam o amplo acesso aos livros na Idade Média. O alto custo da produção manuscrita de um livro se dava tanto por conta do longo tempo gasto, já que os livros eram produzidos artesanalmente por escribas,o que fazia com que a produção fosse em baixa escala, como pelo fato do preço exorbitante do suporte físico: pergaminho e o papel chiffon (sendo o segundo já uma opção mais barata).
Tais impedimentos de ordem econômica faziam que apenas os homens do saber (clérigos, monarcas e estudantes) tivessem acesso aos livros, uma vez que a aquisição era custosa e as poucas bibliotecas tinham um pequeno acervo com apenas alguns títulos e, na sua maioria, não erma abertas a todos. Além, disso, vale lembrar que quando falamos da Idade Média, como o próprio autor aponta, não existia uma obrigatoriedade por parte do Estado em promover a produção ou mesmo ao acesso aos livros.
A introdução da impressão nesse panorama, a partir do segundo terço do século XV , foi pouco sentida pelos homens de sua época e teve sua difusão bastante lenta em seu início, o que não represento um aumento considerável na produção. Existia resistência na troca dos belos manuscritos por livros impressos, por esses serem de baixa durabilidade, tampouco muitos títulos eram impressos e devido à questão da tradução a tiragem era ainda em baixa escala. Ainda assim, foi possível notar um alargamento do público leitor e consumidor de livros com o aparecimento de “bibliotecas mínimas”.

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