quinta-feira, 29 de abril de 2010

O valor do livro

Em o “Os Livros na Idade Média”, Jacques Verger apresenta o acesso ao livro e o processo de transição do manuscrito para o impresso na Idade Média. O interessante do texto é a demonstração da rica produção intelectual e do valor simbólico e econômico depositado nos livros em um período que, erroneamente e por razões diversas, ficou posteriormente conhecido como “Idade das Trevas”. Por meio de um extenuante levantamento de dados o autor sustenta o argumento da riqueza encontrada nas bibliotecas da época, mesmo com situações adversas, como as dificuldades de reprodução de um livro tanto em função do tempo gasto como do preço exorbitante do suporte físico. Além, disso, vale lembrar que quando falamos da Idade Média, como o próprio autor aponta, não existia uma obrigatoriedade por parte do Estado em promover a produção ou mesmo o acesso aos livros, tais atribuições eram destinas à esfera privada, Instituições de ensino (Universidades e colégios, em sua maioria pertencente à Igreja) e bibliotecas particulares, ou seja, a leitura era restrita a determinadas classes e a algumas ocupações sociais. Jacques Verger ainda relata as mudanças desse cenário com o advento do livro impresso, mas faz a ressalva de que ainda que se tenha ampliando o acesso aos livros foi um processo lento. Muito do valor econômico do livro se perdeu com a impressão, no entanto o valor de erudição é até hoje associado ao habito da leitura.

Ser e escrever

“O senhor me pergunta se seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a mesma coisa a outras pessoas antes. Envia seus versos para revistas. Faz comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença para aconselhá-lo) lhe peço para desistir disso tudo. O senhor olha para fora, e é isso sobretudo o que não deveria fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém. Há apenas um meio. Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele entende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isso: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profundo. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples “Preciso”, então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso.” (p.24,25)

O poeta Rainer Maria Rilke, ao ser indagado por jovem aspirante a poeta a respeito do que era necessário para se tornar um escritor, não lhe responde com dicas de técnicas literárias ao com métodos de trabalho, a resposta para ele está na pessoa, na necessidade quase divina de se escrever que deve, assim, moldar a vida. Ser escritor para o poeta beira uma categoria biológica determinada pelo nascimento. A escrita não é para ele um ofício que se escolhe, é uma forma de vida que escolhe seus adeptos.
O que vemos nas palavras de Rilke, quando comparamos com outros relatos de escritores, é que o ofício do escritor, assim como todos os outros, é carregado de atribuições simbólicas que variam de acordo com os contextos históricos em que cada escritor está inserido.
Não é a toa que quando lemos Rilke não encontramos nada parecido com um manual de redação, o que temos é quase um livro de auto-ajuda, maneiras de se conduzir a vida, o autor e o texto se fundem em uma só coisa. Para o poeta tudo que está no texto deve ser do autor, já que vida é pautada pela necessidade de escrever.
Hoje ainda encontramos esse tipo de fala, que atribui a escrita a um processo doloroso, quase um parto. Ainda que a idéia de inspiração venha sido somada ao trabalho de horas em frente ao texto, a concepção do sofrimento e da tormenta do ato de escrever como valor ou mérito de um texto é bastante usual e difundida. Como se bons escritores não pudessem ser felizes e falarem de coisas tristes.
Não acredito que Rilke não tenha de fato transformado sua vida em função dessa necessidade de escrever descrita por ele, e tão pouco deixo de acreditar que atualmente não existam escritores que, com base no domínio do método, sigam a riscas manuais de como escrever e acreditem piamente que este é caminho. Cada época forma seus próprios escritores.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Entre mergulhar e debruçar na escrivaninha

“Quem escreve (quem pinta, esculpe, compõe música) sempre sabe o que está fazendo e quanto isso lhe custa. Sabe que deve resolver um problema. Pode acontecer que os dados iniciais sejam obscuros, pulsionais e obsessivos, não mais que uma vontade ou uma lembrança. Mas depois o problema resolve-se na escrivaninha, interrogando a matéria sobre a qual se trabalha – matéria que possui suas próprias leis naturais, mas que ao mesmo tempo traz consigo lembranças da cultura de que está embebida (o eco da intertextualidade).

Quando o autor nos diz que trabalhou no raptus da inspiração, está mentindo. Genius is twenty per cent inspiration and eighty per cent perspiration.

Não me recordo a propósito de que célebre poema de sua autoria Lamartine disse que lhe tinha nascido de um só jato, numa noite de tempestade, em um bosque. Quando morreu, foram encontrados os manuscritos com as correções e as variantes, descobrindo que aquele era talvez o poema mais ‘trabalhado’ de toda a literatura francesa.”

Umberto Eco em Pós- Escrito a O Nome da Rosa

“Ler romances me parece uma atividade muito normal, mas escrevê-los é algo tão difícil de fazer...Pelo menos é o que penso, até me lembrar como as duas coisas estão firmemente relacionadas(...).

Primeiramente porque escrever é praticar, com especial intensidade e atenção, a arte de ler. Você escreve para ler o que escreveu, ver se está bom e, é claro, como nunca está, reescrever - uma vez, duas vezes, quantas vezes forem necessárias para que fique algo que você suporte reler. Você é seu primeiro leitor, e talvez o mais severo.

Embora isso, reescrever e reler, pareça um esforço, na verdade é a parte mais prazerosa da escrita. Às vezes a única parte prazerosa. Começar a escrever, quando se tem na cabeça a idéia de ‘literatura’, é formidável, desafiador. Um mergulho num lago gelado. Depois vem a parte quente: quando você já tem alguma coisa para aperfeiçoar, editar. (...)

Aquilo sobre o que escrevo está fora de mim . O que escrevo também é mais inteligente do que sou. Porque posso reescrevê-lo.” (...)

Susan Sontag, em texto publico no “The New York Times”, Mergulho num lago gelado.

“APRENDI que o ato de escrever é uma seqüela do ato de ler. É preciso captar com os olhos as imagens das letras, guardá-las no reservatório que temos em nossa mente e utilizá-las para compor depois as nossas próprias palavras.
APRENDI que, quando se começa, plagiar não faz mal nenhum. Copiei descaradamente muitos escritores, Monteiro Lobato, Viriato Correa e outros. Não se incomodaram com isto. E copiar me fez muito bem.

APRENDI que, para aprender a escrever, tinha de escrever. Não adiantava só ficar falando de como é bonito” (...)

Moacyr Scliar em Vinte e uma coisas que aprendi como escritor

Qual a relação entre ler e escrever? Entre inspiração e revisão? O quanto do trabalho de criação vem da releitura e da tentativa de sair do papel de autor e se portar, por alguns momentos, como o leitor de seu próprio livro? Os trechos acima nos dão idéias do que pensam estes escritores. Gosto muito da idéia de Moacyr Scliar em encarar a leitura, para um escritor, como a formação de um “reservatório”, tanto de imagens como de palavras. Como se falássemos de um armário de recursos literários da qual ele se apropria e recria com suas palavras.

Tanto Moacyr Scliar como Susan Sontang apresentam a leitura e escrita como sendo uma conseqüência da outra, uma “sequela”. Susan se coloca como sua leitora mais severa, e é provável que seja, já que ela é única que tem o texto na cabeça, e, portanto já concretiza as imagens e sentimentos que deseja despertar no leitor

Não creio que seja o desejo do autor que seu livro seja interpretado exatamente como ele imaginou, o próprio Umberto Eco, diz do imenso prazer que tem em descobrir que seus leitores tiveram percepções distintas, afinal para ele o romance é uma “máquina de interpretações”, desde seu título até a última linha.

O trabalho de criação e revisão são, por Susan e Moacyr, comparados com o ato de esculpir, de extrair e lapidar daquele vasto reservatório de palavras aquelas que provoquem o efeito desejado. É por isso que a etapa dos manuscritos, dos esboços é tão importante, é o trabalho de revisão que dá voz a criação.

Para nós leitores, que recebemos o livro como um todo, as palavras parecem que sempre estiveram ali. Não lemos pensando “e se o autor tivesse colocado essa palavra no lugar dessa?”, lemos pensando se gostamos ou não, e buscando interpretar e mesmo críticar, mas a escolha não está mais em questão, e para o leitor, nunca esteve, é o ofício do autor.

Saber a hora que o romance está pronto e que aquelas são as palavras e frase que devem permanecer é o momento quente após mergulho no lago gelado figurado por Susan. É na releitura que o autor decidi que terminou, que enfim o livro ganhará uma vida que ele não mais controla.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Dos segredos

Na sexta feira aproveitei a tarde livre e a escapada mais cedo do trabalho do meu namorado para tentar minimamente atualizar a lista de milhões de filmes que quero assistir e que, por outras milhões de razões, acabo não assistindo.
Fomos ver O segredo de seus olhos (El secreto de sus ojos, 2009), filme argentino ganhador do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro.
Gosto muito do pouco que conheço do cinema argentino e entre meus filmes preferidos, não apenas portenhos, está O filho da noiva do mesmo diretor e roteirista, Juan José Campanella, o que me levou a chegar ao cinema com grandes expectativas.
O que eu esperava, e tanto adoro, encontrei no filme: uma mistura de um humor bastantes irônico e tipicamente argentino, com reflexões densas sobre a vida e suas escolhas. O roteiro é excelente e as cenas são extremamente sensíveis e logo se nota a preocupação com os mínimos detalhes por parte do diretor. É um filme harmônico. Comédia, drama, romance e suspense com a precisão necessária o tornam muito envolvente e humano, alem da atuação, sempre ótima, de Ricardo Darín.
É bem verdade que nos momentos finais senti alguns desfechos um pouco atropelados enquanto outros pareciam se arrastar, mas nada que comprometa, nem minimamente, a qualidade do espetáculo.
O filme narra a história de Benjamín Espósito, um funcionário público recém aposentado que busca, por meio da escrita de um romance policial, baseado em caso que ele mesmo investigou 25 anos antes, encontrar e compreender o sentido de sua própria vida. Aqui o processo de criação literária está em segundo plano, já que o autor do livro, na verdade, não discute em nenhum momento as dificuldades para se escrever ou seus métodos de trabalho. O uso da narrativa literária por parte do personagem é na verdade um grande desabafo, beirando a escrita de um diário, ou de um “memorando”, termo utilizado no próprio filme, uso esse bastante comum por escritores amadores, que encontram na redação de livros espaço para realizarem certo revisionismos de suas biografias e também expressarem sentimentos que só se fazem entender quando colocados no papel. Quem nunca escreveu para espantar seus medos?
Sem dúvidas o filme é ótimo, mas o melhor não estava na tela, e sim a duas poltronas da minha: eram os comentários extremamente graciosos de duas senhoras já para lá da terceira idade que completavam e ressignificavam o sentido do filme, reforçando a qualidade do que passava na telona.
Não sei se por surdez ou meramente por acharem, corretamente, que a certa altura da vida tudo é permitido e que vergonha e embaraço são problemas dos mais novos, as duas simpáticas senhoras comentavam em voz alta (bastante alta) cena a cena do filme.
Não cabia a mim reclamar, até porque eu estava bem me divertindo e além disso, o que fazia eu numa sessão em plena tarde de sexta?!
Alguns comentários eram para evitar confusões, já que às vezes as duas acabavam misturando os personagens e as cenas que ocorriam no presente e no passado da trama. Contudo, a maior parte deles eram respostas antecipadas aos diálogos ou pequenas reflexões sobre a vida e as relações humanas.
Quando Benjamín se questiona sobre como é possível viver uma vida cheia de “nada”, a senhora logo respondeu pensativa e com certa melancolia “é... é difícil”, e a outra rapidamente concordou. Melhor ainda era quando os personagens faziam piadas sobre envelhecer, como quando disseram que Benjamim e a velha máquina escrever da repartição se entenderiam porque ambos eram “dois dinossauros”. Era só gargalhada nas poltronas ao lado! Riam e cutucavam, repetindo a piada em voz alta! Risada boa, engraçada e cheia de vida.
O filme falava delas, da vida que passa e que está longe de ser cheia “de nada”. O que se pode mudar e o que realmente já foi, passou?Aquilo que pode no máximo ser colocado em algumas linhas de um livro-memorando, para que se possa ler reler, achar graça e tentar encontrar o melhor final, dentre aqueles que a própria narrativa da vida nos impõe. Eu estava no horário da sessão errada, ou não, mas certa de que faltava muito para que eu realmente pudesse entender o filme.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Memórias da infância

As memórias da infância são tão vivas quanto construídas, sempre repletas de cheiros e sensações que são nossos portos seguros quando tentamos nos entender no presente, nos agarramos muitas vezes a elas para atribuirmos sentido a nossa trajetória de vida. É vazio e assustador demais pensar que nos tornamos o que somos por uma simples somatória de acasos.
Nos depoimentos João de Ubaldo Ribeiro e de Graciliano Ramos sobre o momento em que começaram a ler, ainda crianças, temos testemunhos distintos dessa experiência. Para Ubaldo ler era apenas uma questão de tempo, uma parte da vida, assim que ele atingisse os 6 anos de idade aprenderia, como um bebê quando começa a andar. As letras foram ao longo da primeira infância se tornando algo familiar e cotidiano, ainda que não as decifrasse já as conhecia bem, e como ele mesmo disse, juntá-las lhe pareceu facílimo.
Já para a família de Graciliano a alfabetização era um sinal de status, algo a ser conquistado e dominado ao custo de esforço e do côvado. A leitura para ele era algo distante de sua realidade e que se tornou uma obrigação que pouco lhe fazia sentido. Um verdadeiro sofrimento e uma grande decepção, já que logo percebeu que decifrar as letras não era o mesmo que atribuir sentido ao que se lia.
Embora as experiências sejam distintas, assim que terminei de lê-las, recorri às minhas memórias e não foi difícil recordar da ansiedade que me causava ver todo aquele alfabeto e saber que eu ainda não conhecia todas as sílabas. Treinava de maneira incansável a leitura, da janela do carro ia lendo todas as placas possíveis e sempre acabava tropeçando em algum “nh” ou em um acento grave. Ler era uma autonomia, era enfim fazer parte de um novo grupo. Tínhamos muitos livros infantis em casa, quase todos da minha irmã, e mesmo que ela me emprestasse e que eu gostasse das ilustrações dependia dos outros para saber o que estava escrito. Muitas vezes era minha própria irmã quem me contava as histórias, algumas vezes percebia que ela inventava o que estava escrito, em geral para me dar medo, ficava brava por saber que não tinha como ter certeza. Depois de grande, quando já sabia ler, pedia para minha irmã ler histórias para mim. Ela lia em voz alta Agatha Christie antes de dormirmos e juntas tentávamos descobrir os assassinos, mas isso já é uma outra história...
A alfabetização é diferente para cada um, variando do contexto familiar e social, mas para todos que vão até o fim e descobrem que aquele monte de símbolos são, mais do que palavras e sons, um mundo de idéias e possibilidades, a experiência das primeiras leituras é uma marca que levamos e que certamente permeia nossa relação com os livros e com a escrita. O que fica evidente em ambos os depoimentos é que o domínio da leitura, seja ele prazeroso ou sofrido, é um caminho sem volta que modifica a relação estabelecida com o mundo.
Propor uma relação direta entre a formação do indivíduo e a formação do escritor pode nos levar a certos reducionismos e a busca por fórmulas mágicas. Como se a formação de um escritor fosse a conseqüência de experiências específicas de vida. Ser um escritor não é uma equação matemática, cuja soma de certos números culmina sempre no mesmo resultado. Conhecer o momento em que esses dois escritores aprenderam a ler, acredito, é importante para entendermos suas obras e seus estilos literários. Serve para analisarmos seus casos específicos e, no máximo, caso desejemos generalizar, concluir que, para se tornar um escritor é preciso saber ler. Se quisermos ir além podemos dizer que também ajuda nessa equação cheia de variantes o fato de se ter uma família que valorize a leitura e escrita como um instrumento de transformação, seja de cunho pessoal ou social.
Lendo esses depoimentos, num primeiro momento me pareceu óbvio que a formação era fundamental tanto para o gosto pela leitura, como pela arte de escrever. Estava pensando em como escrever algo que defendesse essa hipótese enquanto escutava, parada no trânsito, uma reportagem na CBN de uma série intitulada “Casos e causos de Brasília”, em comemoração aos 50 anos da cidade. A matéria era sobre o açougue T-Bone, conhecido na capital como Açougue Cultural. Seu proprietário transformou boa parte do espaço em um a biblioteca popular, que hoje abriga mais de 20 mil abras, além de receber em seu espaço escritores, músicos e outros artistas para noite de autógrafos e eventos culturais.
De cara me pareceu mais um dessas invenções que servem para chocar e gerar espanto, já que carne refrigerada e livros não são a combinação mais evidente. O que me chamou a atenção de fato foi a trajetória de vida do idealizador do projeto, Luís. Quando menino, aos 12 anos, foi contratado pelo açougue e acabou morando por tempo nos fundos da loja. Foi alfabetizado somente aos 16 anos, e contou em seu depoimento como foi seu primeiro contato com os livros. Era um depoimento entusiasmado que muito lembrava o de João Ubaldo Ribeiro. Só foi ler seu primeiro livro aos 18 anos, um gibi de filosofia, não entendeu muito , mas achou interessante e dali em diante começou a ler compulsivamente livros de literatura e especialmente de filosofia, sua predileção.
Caberia investigar mais a vida de Luís para entender sua paixão pelos livros, mas a sua trajetória de vida, somada aos depoimentos de Graciliano e João Ubaldo, me fazem pensar que o gosto por ler e escrever não são fórmulas matemáticas, estão mais para receitas feitas por avós interioranas: sabemos que o fogão a lenha, que os anos de experiência e que as panelas de ferro são elementos importantes para o sucesso da recita, mas se perguntarmos o que exatamente vai ali, nem mesmo as cozinheiras saberão explicar.