quinta-feira, 10 de junho de 2010

A resposta

Hoje vivenciamos uma cultura digital que impõe novos ritmos de aprendizagem e conhecimento. Somos bombardeados com informações a todo momento e num ritmo frenético. Remetendo-se ao texto estudado, fica uma pergunta para reflexão: a passagem da leitura oral para a leitura silenciosa, nos trouxe diversas mudanças positivas. No entanto, a oratória que tanto era valorizada,quase foi extinta, ficando hoje restrita apenas a discursos políticos,saraus, ou cursos específico. Será que talvez não precisamos resgatar um pouco dessa tradição, em que o conhecimento era compartilhado com todos?
(Perganta da Elis)

É sempre uma sensação um pouco estranha quando descobrimos que algo que nos é tão natural, como a leitura em voz baixa, é na verdade conseqüência de um longo processo histórico e de mudanças culturais e sociais.
É comum, e por vezes vital, naturalizarmos nossos habitados acreditando que sempre foi e sempre será assim. Afinal se passarmos a vida questionando tudo acabaríamos apenas com incertezas, pois nossa conclusão seria que tudo é cultural, decorrente de uma sucessão de fatos e transformações. Ao olharmos para trás, para séculos de história documentada, conseguimos perceber tais mudanças, nesse caso d leitura em voz alta para a leitura silenciosa, mas será que aqueles que viveram na época em que teve início tal processo de transformação eram capazes de perceber que estavam diante de algo tão significativo?
O que o texto de Manguel nos diz é que não. Augustinho ao se depara com Ambrósio pensou ver uma exceção, o que para época estava plenamente correto, mas não lhe passou pela cabeça que estaria diante do futuro da leitura.
Embora seja assustador e cheio de incertezas o olhar para o passado também nos mostrar que é possível mudar, que os padrões sociais podem e serão alterados, por isso cabe a nós sermos agentes ativos de nossa história através da consciência dela e de reflexões como esta proposta pela Elis.
O texto de Manguel exalta os benefícios e as transformações que a leitura silenciosa originou, porém pouco diz sobre as conseqüências negativas que o fim da leitura em voz alta possa ter.
A leitura em voz alta é uma formar de compartilhar conhecimento e também e de escutar a visão do outro sobre um texto, ampliando as maneiras de compreender e interpretar os textos. Além disso, quando se lê para uma criança, por exemplo, se estabelece um laço afetivo, um companheirismo interessante de ser resgatado num mundo atual que está bastante egocêntrico.
Acredito que as duas formas de leitura não deveriam ser excludentes e sim complementares, possibilitando aos leitores tanto o compartilhamento e o exercício da leitura coletiva, como também a autonomia e contato direto com o texto sem intermediários.

Um comentário:

  1. Flávia, essas formas de leitura são complementares, o que ocorre é que as práticas de leitura mudaram muito. O aparecimento de meios de comunicação de massa afetaram muito as práticas de leitura comunitária, em que as pessoas se reuniam para ler ou contar histórias, causos ou mesmo conversar.
    Muito dessa conversação é feita pelo telefone, pela internet. A leitura em voz alta ficou restrita a situações específicas. Não há como voltar atrás, qualquer resgate dessas práticas sofre adequação às necessidades atuais e não será a mesma. Você mesma já observou em alguma de suas reflexões o vínculo das práticas de leitura e escrita com o modo como a vida se organiza socialmente. Se essa organização muda, a prática não se justifica como era, ela muda também. (nessas últimas reflexões senti falta de revisão).
    Beijos, Márcia.

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